Esgotos

Um mal à saúde pública e ao meio ambiente

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Esgotos poluem o mar de Maragogi. (Foto: Maragogi News). 

Chamamos de esgoto a água usada para o banho, limpeza de roupas, louças ou descarga do vaso sanitário. Dependendo do uso, há distintas denominações. Os resíduos provenientes das residências formam os esgotos domésticos, os formados no processo de fábricas recebem o nome de esgotos industriais e as águas das chuvas são denominadas pluviais e não podem ser lançados na rede de esgoto.
 
Esta diferenciação é importante porque para cada tipo ocorre formação de substâncias diferentes e necessidades de sistemas específicos para afastar e tratar os resíduos. Geralmente, o esgoto não tratado contém numerosos agentes patogênicos, micro-organismos, resíduos tóxicos e nutrientes que provocam o crescimento de outros tipos de bactérias, vírus ou fungos presentes em menor número. Por esta razão, os sistemas de coleta e tratamento de esgotos são importantes para a saúde pública, ao evitar riscos de contaminação e transmissão de doenças; e ao meio ambiente no que se refere ao controle da poluição das águas, e por consequência de sua biodiversidade.
 
Todos os dias, 5,4 bilhões de litros de esgoto sem tratamento são jogados diretamente na natureza no país, contaminando solo, rios, praias e mananciais, e trazendo impactos diretos à saúde da população. Pesquisa divulgada em outubro pela Organização Mundial de Saúde já indicava que, no ranking dos 14 países com piores sistemas de tratamento de esgoto, o Brasil fica com o 7º lugar. São cerca de 18 milhões de brasileiros que não têm sequer banheiro em casa.
 
E no estado de Alagoas e seus municípios a história não é diferente. Apenas 15% de toda a rede de esgoto são tratados, segundo a Secretaria de Estado da infraestrutura (Seinfra). Isso significa que 85% do esgoto produzido pela população no estado conhecido como o "Paraíso das Águas" seguem em direção a rios, lagoas e mar. O problema se deve a décadas de falta de investimento e planejamento no crescimento das cidades, onde sua grande maioria desenvolve o turismo sustentável. Será que isso é turismo sustentável?
 
Os serviços de saneamento básico são considerados essenciais, é a partir deles que podemos promover as condições mínimas de desenvolvimento socioambiental. Cabe aos gestores e às políticas públicas o papel de responsabilidade, articulação e reversão dessa realidade, principalmente em regiões mais pobres, como o norte e nordeste, onde são encontradas as situações e os índices mais alarmantes de falta de saneamento básico.
 
Abaixo algumas curiosidades provenientes da falta de saneamento básico:
 
Na última década, cerca de 700 mil internações hospitalares, ao ano, foram causadas por doenças relacionadas à falta ou inadequação de saneamento;

Somente em 2005 foram mais de 900 mil pessoas internadas;

2,5 mil crianças menores de cinco anos morrem, ao ano, por diarreia, doença que se prolifera em áreas sem saneamento. São 210 crianças por mês (sete por dia);

Cerca de 46 mil pessoas morreram de doenças infecciosas e parasitárias, em 2004, o equivalente a 3.833 pessoas por mês, 126 por dia;

Cerca de 65% das internações em hospitais de crianças com menos de 10 anos são provocadas por males originados da deficiência ou da inexistência de esgoto e água limpa;

No Brasil, em 2004, o acesso à rede de esgoto era de 4% da população rural e 53% da população urbana. – Os gastos anuais do Sistema Único de Saúde (SUS) com o tratamento de doenças ligadas à falta de higiene chegam a R$ 300 milhões;

Cerca de 80% do esgoto produzido no país não recebe nenhum tipo de tratamento e é despejado em lagos, rios, mares e mananciais;

Apenas 48% da população brasileira tem acesso à rede de coleta de esgoto, ou 89 milhões de pessoas atendidas, e há ainda 97 milhões sem acesso a esse serviço, levando em consideração a população em 2004, de 186 milhões de habitantes no Brasil. 
 

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