Ação social, teatro mambembe e circo

Deda Paes é, antes de tudo, um problema social

(Fotos: divulgação.)

Imagine se dez por cento da população de Maragogi tivesse tirado um minutos do seu tempo hoje, e tivesse procurado, não só o Deda Paes, mas outras áreas esquecidas e marginalizadas do município para levar um abraço, um sorriso a essa gente... As palavras são da dona-de-casa e doceira maragogiense D. Lúcia Veras. Ao lado do Max, do Alex, do Lucas, da Rosângela e do meu, D. Lúcia integrou a equipe de voluntários que participou de mais uma ação social na comunidade Deda Paes, na tarde desse sábado, 20. Dessa vez, a atividade se estendeu ao Alto dos Sonhos, ali no morro, atrás do Fórum. E a frase seguinte de D. Lúcia traz um desafio oculto: Cada cidadão deveria passar alguns momentos ali.

“Tão maravilhosamente nos unimos hoje à tarde com apenas um propósito: darmos uma tarde de alegria ao povo do Deda Paes, que é uma gente tão esquecida pelos governantes e pela própria população”, continua a voluntária. E suas frases gritam e têm eco. “São marginalizados. Mas ali tem pessoas trabalhadoras, que sobrem por uma falta de oportunidade.” E confessa, feliz: “É divino trabalhar ali. Foi muito satisfatório ver no olhar de cada criança o prazer de receber um ovo de Páscoa.”

Ação social, teatro mambembe e circo – Na foto, parece uma tela surreal. Dois personagens, Coelhinho e Coelhinha da Páscoa, metidos em roupas de pelúcia, de tonalidade suave, em contraste com o cenário pincelado com as cores da miséria lá atrás. Casebres de taipa, de madeira ou de lona, e crianças seminuas e descalças. Mas todas as nossas atividades comunitárias têm essa mistura: teatro mambembe e circo. Uma combinação que parece muito doida, mas que tem dado muito certo. Vai além da doação da coisa material. Por isso o valor do brinquedo ou, no caso, o tamanho do ovo de chocolate, é o que menos importa para nós. O mais relevante é o ato em si, o sorriso e a gratidão que recebemos de volta. E isso não tem preço.

O ato também tem nuances políticas. Porque chama a atenção da sociedade para um problema que é meu, seu, que é de todos nós. Deda Paes é, antes de tudo, um problema social. E se é um problema social, passa a ser um problema unitário, individual, coletivo. Um problema político, religioso. Nossos atos obrigam todos a dirigirem olhares diferenciados às comunidades. Ninguém pode ignorá-las, porque todos nós temos nossas porções de culpa – e responsabilidade. E se sofremos as consequências, não podemos ficar inertes, esperando soluções mágicas ou truculentas de poderes do sistema. Essas respostas imediatistas dadas à sociedade têm o dom de ludibriar. Respostas de cunho igualmente violento. Pintam com sangue, lavam com lágrimas e “enterram com panos pretos” filhos bastados de uma sociedade cancerígena. No fundo de sete palmos de terra, a crueldade é uma só.

Ali, nós vamos com uma única missão. A generosidade e o respeito para com o próximo, seja ele quem for, branco ou negro, trabalhador ou vagabundo. Não somos inquisidores. Fazemos a nossa parte. Cada um que cumpra a sua.

“Deus hoje nos usou para um só intuito: o de alegrar aquele pessoal”, prossegue D. Lúcia. “Não fomos ali em busca de nada, apenas de nos doar. Fomos apenas pelo prazer de servir ao próximo. Pois, quem não serve para servir, não serve para viver (Mahatma Gandhi). E eu amo me sentir útil.”

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