A bagunça generalizada da orla marítima de Maragogi

Sem nenhuma infraestrutura, o turismo sobrevive graças às belezas naturais do município

Lanchas por toda a costa. (Fotos: cortesias)

“Vamos fazer o reordenamento da orla”, garantiu, em tom enfático e severo, o atual gestor de Maragogi, Sérgio Lira, nos primeiros meses de 2017, tão logo voltou ao comando da prefeitura. Palavras iguais usou o ex-prefeito Henrique Peixoto, também assim que assumiu. Sérgio Lira ainda “ameaçou” publicamente, por mais de uma vez, retirar as lanchas “guardadas” por toda a costa de uma das praias mais visitadas do país. E, igual ao mandato do último gestor, encerra seus quatro anos fazendo “vista grossa” para a bagunça generalizada que tomou conta do maior cartão postal da cidade.  

Foram quase quatro anos de muito blá-blá-blá. Projetos engavetados ou jogados fora, reuniões em vão, oficinas realizadas em hotéis, com direito a coffee break pago com dinheiro público. E tudo, mais uma vez, morreu dentro dos gabinetes povoados por mentes megalomaníacas. O “Projeto Orla”, como denominou a atual gestão, não saiu do papel. Aliás, como outros projetos anunciados, simples ou faraônicos. O Centro de Artesanato não passou de um imenso buraco na entrada da comunidade Deda Paes e a “nova cidade planejada” que seria erguida no Assentamento Cachoeira depois do carnaval de 2018, ninguém ouviu falar mais.

“Fiquei muito decepcionado com a sujeira e bagunça da cidade, parece um caso de ocupação irregular de um lugar que cresceu muito sem o mínimo de planejamento. A sujeira não é só na praia no centro, nas demais praias há bastante sujeira entre a rodovia e a orla. A estrada que dá acesso aos hotéis ao norte do centro não tem iluminação e não está pintada, tornando uma aventura arriscada dirigir a noite. Não volto para Maragogi.” Esse é apenas um dos comentários negativos sobre a cidade no site de viagens mais conceituado e acessado do mundo, o Tripadvisor, que fornece informações e opiniões de conteúdos relacionados ao turismo. 

Praça de eventos transformada em estacionamento privativo.

Até ensaiou-se uma ação de reordenamento, realizada em maio de 2018, mas não que tenha partido da prefeitura. A ação foi feita pela Superintendência do Patrimônio da União (SPU) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com o apoio do Batalhão de Polícia Ambiental (BPA). A operação, denominada “Areias Limpas”, fechou mais de vinte barracas que estavam sem licença para funcionar.

À época, o superintendente do Ibama em Alagoas, Mário Daniel Sarmento de Moraes, vários empreendimentos foram notificados na orla do município. “Essa operação em Maragogi começou em março. Notificamos mais de 50 empreendimentos e demos prazo para que eles se regularizassem. Quem não se regularizou ou apresentou protocolo de licenciamento ou outorga, nós embargamos”, explica Moraes.

O que se vê em mais de um quilômetro de extensão da Av. Senador Rui Palmeira, há mais de uma década, é o avanço das construções irregulares; bares, restaurantes e receptivos sendo cercados ou fechados; um aumento considerável de lanchas invadindo a costa, destruindo a restinga (mas parece que a única destruição de restingas que incomoda é a praticada pelos comerciantes da Praia de Antunes, como se as autoridades só visitassem aquela praia), tirando a visão do mar e bloqueando a passagem.  

“Não há mais respeito pelos banhistas na praia de Maragogi”, esbraveja João Bosco, ex-vereador por Maragogi e atualmente gerente de área da Bombril, na cidade de Caruaru, Pernambuco. João Bosco possui uma casa na orla, quase em frente ao posto da SMTT (Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito). “Além de terem roubado o lugar dos banhistas, ainda nos destratam quando reclamamos de alguma coisa. Em janeiro, fui atingido por uma lancha, e quando reclamei, me mandaram tomar banho em outra praia.” Naquele trecho, há mais de uma dezena de lanchas na areia, o que tem levado o homem a protestar constantemente, desde outros governos, em suas redes sociais.  

"Espaço Gourmet": barracas permanecem sem padronização e no mesmo lugar.

As barracas do chamado “espaço gourmet”, tantas vezes também ameaçadas de expulsão, misturadas com as promessas de que seriam padronizadas, continuam no mesmo local e do mesmo jeito. A praça de eventos foi transformada em estacionamento privativo, reduzindo ainda mais o espaço dos humanos. A área, destruída, contribui para macular o visual. Fotos e vídeos dos sanitários com aspecto de abandono são veiculados nos grupos sociais. Os esgotos a céu aberto continuam. Ou seja, a espinha dorsal da cidade, sua infraestrutura, permanece sem receber o tratamento devido.   

“A estrutura é quase inexistente”, escreveu outro turista na página do Tripadvisor. “A praia tem suas belezas naturais, mas nada que você não encontre em qualquer praia famosa do Nordeste.” E os comentários de desaprovação não cessam: “Praia muito lotada de vendedores ambulantes e tudo mais.” “Foi uma grande decepção. Realmente a praia de Barra Grande é bonita e a água tem uma cor diferente. Mas acabou por aí.” “A praia central de Maragogi não é legal. Me decepcionei bastante. Estava suja, lotada e sem infraestrutura. Posso ter ido no local errado, mas esse local do letreiro é bem feio...” “Não gostei da experiência de conhecer a praia de Maragogi. A rua principal é muito estreita, causando desconforto para se locomover. Muito barulho e bagunça.”

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