Gabriel Vasconcelos deixa a Secretaria de Meio Ambiente para ser o candidato a vice-prefeito na chapa de Sérgio Lira

Ele substituirá sua mãe, Elba Vasconcelos, que optou por continuar à frente da Secretaria Municipal de Saúde

O secretário de Meio Ambiente do município de Maragogi, Gabriel Vasconcelos, interrompe suas atividades no serviço público nesta quarta-feira (3), para ser o candidato a vice-prefeito na chapa de Sérgio Lira. Na função desde o começo da atual gestão, 2 de janeiro de 2017, Gabriel parte para um novo desafio. Aos 35 anos de idade, casado com a odontóloga Ana Karla Barros Passos, com quem tem uma filha, o engenheiro, formado pelo Centro Universitário CESMAC, pós-graduado em Engenharia de Segurança do Trabalho, já prestou serviços à Caixa Econômica Federal e foi contratado pelo Grupo João Lyra. Na entrevista a seguir, Gabriel fala da sua experiência à frente da Secretaria e fala do novo desafio.



MN – Qual o legado que o senhor deixa para o meio ambiente de Maragogi?
GABRIEL – Para quem assumiu uma Secretaria completamente sucateada, sem qualquer equipamento em condições de uso, hoje temos uma Secretaria modelo para todas as demais. Enfrentamos a questão das línguas negras na praia urbana e as eliminamos, fechamos o lixão, adquirimos com recursos próprios equipamentos como veículo, embarcação, fizemos o ordenamento das piscinas naturais, pacificando o setor, que vivia conflagrado em questiúnculas internas, estabelecemos parcerias com os demais órgãos integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente, como o IMA, o IBAMA, o ICMBio e a SEMARH e, nossa cereja do bolo, conseguimos implementar o licenciamento ambiental em âmbito municipal – sem dúvida a grande conquista da nossa gestão. Sem falar inúmeras outras ações de recuperação de áreas degradadas, fiscalização, educação ambiental etc.

MN – Há uma grande quebra de braço em Maragogi envolvendo a economia – aqui na região movida pelo turismo – e a preservação do meio ambiente. Se a economia avança, há consequências irreparáveis sobre o meio ambiente. Quais foram suas ações para conciliar as duas questões?
GABRIEL – Criou-se no Brasil uma falsa dicotomia entre as atividades econômicas e a preservação ambiental. Em Maragogi, estamos mostrando que é possível conciliar o desenvolvimento do turismo e, ao mesmo tempo, proteger os nosso patrimônio natural, até porque, sem o Meio Ambiente protegido, o turismo sucumbirá. Ninguém virá visitar-nos para encontrar um local poluído e degradado. O turismo precisa, e muito, das ações de preservação ambiental.

MN – Foi difícil ser secretário de Meio Ambiente e político ao mesmo tempo? Considerando que o secretário tem que zelar pelo meio ambiente e o político tem que ceder às pressões dos empresários.
GABRIEL – O apoio do trade turístico tem sido constante desde o primeiro dia em que assumi a Secretaria. Estabeleci um diálogo franco e respeitoso com o empresariado, que, felizmente, em Maragogi é composto por pessoas com uma visão de vanguarda e que há muito entenderam que, como afirmei anteriormente, sem preservação a atividade econômica tende a declinar, principalmente em se tratando da nossa modalidade de turismo, que é o chamado turismo de sol e mar.

MN – Respeita-se o meio ambiente em Maragogi?
GABRIEL – Muito há que se fazer para que o conjunto majoritário da sociedade seja parceira na proteção ambiental, desde pequenas ações, como evitar queimar lixo nas residências, respeitar o direito ao sossego alheio, descartar os resíduos sólidos corretamente, enfim, o caminho é longo, mas acho que gradativamente há uma adesão cada vez maior à noção de que o meio ambiente é fundamental para uma sadia qualidade de vida.

MN – Por que toda a costa de Maragogi é uma área tão castigada pelos empreendedores do turismo?
GABRIEL – Justamente por suas belezas naturais, ninguém vai implantar um empreendimento turístico em um lugar feio e sem atrativos. Muitas vezes somos vítimas das nossas qualidades, pode ser um aparente paradoxo, mas temos de aprender cada vez mais a desenvolver dentro de critérios e padrões de sustentabilidade.

MN – Enumere os casos vitoriosos na área do Meio Ambiente em Maragogi durante a sua gestão?
GABRIEL – Praticamente esta pergunta já foi respondida anteriormente, mas faço aqui um parêntese para salientar o apoio incondicional do prefeito Sérgio Lira em todas as nossas ações. Quando aplicamos um auto de infração de 200 mil reais contra a CASAL, o que poderia gerar um problema político entre Governo do Estado e Prefeitura, o prefeito nos deu autonomia e o apoio para que o fizéssemos e, graças a esta autuação, conseguimos uma parceria com a própria CASAL para identificar ligações clandestinas de esgotos ligadas à rede pluvial, o que possibilitou a eliminação das línguas negras nas praias urbanas.

MN – Foi complicado ser vigilante de si mesmo? Afinal, o senhor é empresário do setor turístico.
GABRIEL – Antes de ser secretário de Meio Ambiente, eu exerci as atividades empresariais em estreita observância às normas ambientais. Nunca fomos multados, notificados ou sofremos embargos das nossas atividades. Portanto, como secretário, eu mais do que qualquer outro, procurei ser exemplo para os demais empresários do setor e, com isto, trabalhar com harmonia e cumplicidade, no sentido meritório da palavra.

MN – Maragogi trabalha nas compensações ambientais? Existiu, ou existe algum trabalho de recuperação das áreas degradadas, como as restingas, essa vegetação nativa, por exemplo?
GABRIEL – Começamos um grandioso trabalho de recuperação da vegetação de restinga. Inicialmente, na Praia de Antunes, que vivia um verdadeiro caos socioambiental. Veículos particulares estacionando por sobre a restinga, que era pisoteada, queimada, agredida de todas as formas. Pretendemos, se Deus quiser, no próximo mandato, estender esse projeto para toda a orla e fazer replantio da vegetação, comumente chamada de salsa de praia, e, com isto, recompor a feição original das nossas belíssimas praias.

MN – A Secretaria de Meio Ambiente tem algum projeto para a zona rural do município?
GABRIEL – Temos já pronto um Plano de Recuperação da Mata Atlântica. Onde ela foi suprimida de forma predatória, pretendemos também fazer o levantamento e recuperação das nascentes existentes nos assentamentos e propriedades rurais, a fim de resguardar os nossos recursos hídricos, sabidamente estratégicos para o crescimento sustentável do município.

MN – A Coleta Seletiva de Lixo, para comercialização do lixo reciclável, em parceria com a Secretaria do Trabalho, vem dando certo?
GABRIEL – É um trabalho complexo. Infelizmente, no Brasil não temos a cultura da separação do chamado lixo seco do molhado, mas neste período indubitavelmente houve um avanço significativo. No entanto, seria inverídico não reconhecer que muito há para ser feito, e o faremos.

MN – Como o senhor fiscalizou e puniu as invasões em áreas de manguezais?
GABRIEL – A questão das invasões às Áreas de Preservação Permanente, dentre elas os manguezais, remontam de muito tempo. Quando percebemos novas construções irregulares, imediatamente acionamos a nossa fiscalização. Ocorre que, não raro, os invasores conseguem liminares na Justiça e com isto mantém as suas construções, amparados em um apelo social provocado pela carência e pobreza extrema dessas pessoas. Mas o combate às invasões é diuturno.

MN – O senhor deixa o meio ambiente de Maragogi melhor ou pior?
GABRIEL – Não quero aqui fazer loas à minha própria pessoa. Deixo que a própria sociedade avalie o meu desempenho. Contudo, se levarmos em consideração o número cada vez maior de visitantes que recebemos e do feedback da população, posso afirmar que houve, sim, uma substancial melhoria da qualidade ambiental de Maragogi. Entretanto, posso afirmar que este trabalho é contínuo, não tem fim. Precisamos todos estar imbuídos do mesmo propósito; poder público, sociedade civil e setor produtivo, afinal, todos nós dependemos diretamente do meio ambiente para viver e garantir o nosso sustento.

MN – O senhor estreia na política substituindo sua mãe, Elba Vasconcelos. O que houve?
GABRIEL – Minha mãe, na condição de secretária municipal de Saúde, está na linha de frente do combate à Covid-19. Sendo assim, achou por bem permanecer no cargo e estar ao lado daqueles que lutam bravamente para salvar vidas e recuperar os enfermos. Neste momento, Maragogi necessita muito mais dela como secretária do que como candidata a vice-prefeita.

MN – Qual a responsabilidade de substituir um nome peso-pesado no cenário político de Maragogi, como o da sua mãe?
GABRIEL – Tremenda responsabilidade. Mas pretendo não decepcionar a população do meu município, correspondendo a todas as expectativas.
 
MN – Ser candidato a vice-prefeito foi acidente ou o senhor pretende acompanhar a tradição da sua família e seguir carreira política?
GABRIEL – A política sempre esteve presente na família. Meu avô foi político, minha mãe, como todos sabem, e o meu irmão, Daniel, o Dani da Elba, é um jovem político com uma promissora carreira. Espero poder seguir os passos dos meus antecedentes e honrar a tradição da família, trabalhando em consonância aos legítimos anseios da nossa sociedade.

MN – Qual sua maior inspiração política?
GABRIEL – A minha mãe, fonte de inspiração na política e, junto com o meu pai, na vida.

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