Severino Barbosa, autor do romance A Última Ceia

Uma conversa com o escritor portocalvense, que acaba de lançar seu segundo livro

(Fotos: cortesia)

O escritor portocalvense Severino Ramos Barbosa acaba de lançar seu segundo livro, A Última Ceia, pela SC Literato de Belo Horizonte. “Espero que a obra caia no gosto do leitor e consiga passar uma mensagem de entretenimento e reflexão quanto à trama”, diz o autor. “O livro é uma obra de ficção, onde predomina o suspense e o mistério, porém mesclado de realidade e fantasia.”

Na trama, um serial killer age na surdina dentro de duas igrejas da paróquia de Porto Calvo, interior de Alagoas, resultando numa série de assassinatos que culmina na morte de dois padres e um bispo. Todos três são vítimas do mesmo destino: morte por envenenamento. Sem deixar rastro, o assassino também é suspeito de ter roubado uma tela valiosa, réplica do quadro Jardim das Delícias Terrenas do ponto holandês Hieronymus Bosch, que um dos padres havia pendurado na parede da casa paroquial. O quadro poderá estar associado às mortes dos religiosos.

A história se desenrola na cidade de Porto Calvo, entretanto, alguns personagens transitam pela Europa, nas cidades de Roma, Holanda e Amsterdã. A obra pode ser adquirida diretamente com o autor, através do telefone 82 99167-3166.

O AUTOR
Severino Ramos Barbosa nasceu no dia 17 de junho de 1966, no povoado Barra Grande, situado no município de Maragogi, Alagoas. É formado em Letras pelo Centro Universitário Cesmac (CESMAC). É acadêmico da Academia Portocalvense de História, Letras e Arte, onde ocupa a cadeira nº 19, cujo patrono é o escritor alagoano Graciliano Ramos. Foi colaborador de três jornais de Porto Calvo: O Brasinha, O Paroquiano e A Prensa. Atualmente, tem uma coluna de literatura no jornal Alanorte Notícias. Tem seis livros escritos, um publicado e outro no prelo. Venceu um concurso de poesia promovido pela editora Scorteci, de São Paulo. Os dois poemas foram publicados na antologia Palavras Abraçadas, da mesma editora. Trabalha como técnico pedagógico, na sede da 10ª Gerência Regional de Educação, onde é responsável pelo Setor Administrativo da GERE. Livros escritos: Espinhos e Rosas; A Noite Corre no Escuro; Dia Sem Luz; O Veneno Nosso de Cada Dia (publicado); Corpo Santo; A Última Ceia (a ser lançado entre agosto e setembro deste ano). Atualmente, escreve A Dança da Vida, enquanto desenvolve a sinopse de O Beijo de Judas.



A ENTREVISTA
 
MN – Quando se deu conta de queria ser escritor?

AUTOR – Eu tinha dezesseis anos quando escrevi meu primeiro livro, Espinhos e Rosas; porém nunca publiquei. Foi vendo novelas que despertei esse gosto pela escrita. Falei para mim que seria capaz de escrever uma história e daí comecei a escrever. Mas só estreei muito tempo depois.

MN – Por que você escreve?

AUTOR – Escrevo para satisfazer uma necessidade que sinto vir de dentro de mim. É como algo que se eu não fizer, não tenho paz nem sossego interior. Escrevo também para entreter as pessoas.

MN – Para quem você escreve?

AUTOR – Escrevo para aquelas pessoas que precisam sair da alienação social e encarar a sociedade nua, crua e com sua crueldade que muitas vezes, para muitos, faz parte da vida do ser humano, onde na realidade é simplesmente a falta de um grito para acordar outros que também dormem ao embalo das ondas da alienação social. Escrevo também para aqueles que apreciam a leitura e gostam de um bom entretenimento.

MN – Qual o livro mais importante que já leu?

AUTOR – Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Jorge Amado. Pois este livro me abriu os olhos para as obras daquele que eu considero o melhor escritor de todos os tempos, por trabalhar temas sociais que mexem com a imaginação humana. Foi daí que mergulhei na leitura de mais de 20 livros de Jorge Amado. E herdei um pouco de seu estilo.

MN – Qual tema nunca fará parte de seus livros?

AUTOR – O espiritismo. Não porque eu seja contra, mas porque eu não tenho coragem de mergulhar nesse mundo tão complexo.

MN – Maior personagem da literatura mundial?

AUTOR – Bem. Hoje eu vejo o Professor Robert Langdon, das obras do escritor americano Dan Brown. Em meus livros, eu trabalho com o suspense e o mistério, herança de Sidney Sheldon e de Dan Brown.

MN – Manhã, tarde ou noite, qual o melhor horário para escrever?

AUTOR – Eu escrevo em qualquer horário, porém, o melhor mesmo é pela manhã, logo cedinho.

MN – A quem você nunca dedicaria um livro seu?

AUTOR – Ao atual Presidente do Brasil.

MN – Se pudesse escolher uma figura pública para escrever um romance baseado na vida dela, quem você escolheria?

AUTOR – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

MN – Por quê?

AUTOR – A vida dele resulta em um belo romance. Uma saga maravilhosa. Uma trajetória de vida marcada por muitas especulações e contradições.

MN – O que você mais lê?

AUTOR – Romance de mistério e suspense. Gosto muito. Mas há muitos autores brasileiros muito bons.

MN – Livro que te marcou?

AUTOR – O romance Tereza Batista Cansada de Guerra, de Jorge Amado.

MN – O melhor livro do mundo?

AUTOR – A Bíblia. Não somente pela religião, mas pelos temas abordados que servem de inspiração para muitos autores do mundo inteiro.

MN – Se tivesse que matar alguém num livro seu, quem você mataria?

AUTOR – Um político torturador e opressor da classe menos favorecida.

MN – O que te dá inspiração?

AUTOR – Minha visão de mundo é extensa. Eu não me prendo somente àquilo que me rodeia, mas a tudo aquilo que acontece no mundo inteiro. Minha inspiração é momentânea. Ela surge através de um fato que ocorra em um pequeno lugar até na maior cidade do mundo. Minha inspiração vem daquilo que observo no dia-a-dia, seja onde resido, seja nos lugares por onde viajo, seja naquilo que os noticiários de TV mostram para o mundo.

MN – O que mais te dá prazer na literatura?

AUTOR – Escrever é o que mais me dá prazer: o processo de criação, brincar de ser Deus, ironizar a sociedade e seus dirigentes delinquentes, vê alguém lendo meu livro e dizendo que é ótimo.

MN – Para quem escrever ficção em Alagoas?

AUTOR – Para todos aqueles que apreciam uma boa leitura. Seja de qualquer camada da sociedade. Acredito que algum leitor se identificará com alguma personagem e se verá na teia de algum enredo, pois são muitos deles que me inspiram a criar uma trama cheia de surpresa.

MN – Quais seus autores nacionais favoritos?

AUTOR – Jorge Amado, Graciliano Ramos, Raquel de Queiróz, Guimarães Rosa, Jorge Tenório, José Valdemar de Oliveira (dono de um estilo irreverente), entre outros.

MN – E os internacionais?

AUTOR – Sidney Sheldon, Agatha Christie, Dan Brown, Marguerite Duras.

MN – Como você recebe a crítica dos leitores?

AUTOR – Recebo de forma normal. A gente que escreve, expressa sentimentos que às vezes não condiz com a realidade de algum leitor. Então daí surgem as críticas. Mas devemos saber que o dono da história somos nós. Que a história foi programada para ser escrita daquela forma. E que era daquela forma que queríamos contar a história. Então, a história é minha e não me prendo à crítica.

MN – Ganha dinheiro com literatura?

AUTOR – Não. Eu escrevo por prazer. As editoras ainda cobram muito caro para concretizarmos um projeto literário. Temos que desembolsar muito dinheiro para publicar um livro. Dessa forma, tirando o que emprego na impressão, já está de bom grado.

MN – Qual a função da literatura?

AUTOR – A literatura é de grande importância para a sociedade. Sua leitura é imprescindível, pois, além de ser prazerosa, contribui para o enriquecimento intelectual e cultural de cada leitor, desenvolvendo seu senso crítico e despertando-o para novas experiências.

MN – Dizem que o escritor é meio Deus. Se você fosse Deus, o que faria com a humanidade?

AUTOR – Faria com que todos fossem justos e que não houvesse tanta desigualdade social, o que gera a discórdia entre os povos.

MN – Se fosse o Diabo, o que faria com o Congresso Nacional?

AUTOR – Incendiava com todos os corruptos lá dentro.

MN – Qual livro recomendaria ao ex-presidente Lula?

AUTOR – O Livro Bíblico Salmos de Davi.

MN – Qual livro você recomendaria ao presidente Bolsonaro?

AUTOR – Irmã Dulce, O Anjo Bom da Bahia, do escritor Gaetano Passarelli.

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