O andarilho poliglota

Paulo Peral é ex-tripulante de cruzeiros marítimos

(Fotos: Maragogi News.)
 
Ele passa boa parte do dia deitado numa rede na orla marítima de Maragogi. À noite, dorme num local providenciado por amigos. Sempre carregando uma grande bolsa preta bastante desgastada, onde guarda toda sua bagagem. O efeito do sol na pele do rosto, que descasca, é visível. E o corpo exibe sinais de quem vive na rua, ocultando a boa aparência. Quem o vê, confunde-o com mais um hippie. Mas Paulo Renato Peral é ex-tripulante de cruzeiros marítimos e já conheceu mais de 80 países, na época em que trabalhou como garçom em navios.

Começou como garçom-assistente, em 2003, no Carnival Cruises Lines, servindo a tripulação, cargo pelo qual recebia US$ 800 mensais, e encerrou a carreira como garçom principal de restaurante, ganhando cerca de US$ 4 mil, valor equivalente, hoje, a R$ 16 mil. Passou por várias companhias, inclusive pela Crystal Lines, que possui um dos mais luxuosos navios do mundo. Foi aí que trabalhou como garçom principal. Antes, já tinha sido comerciante e empresário, para depois ser consultor na área de turismo marítimo, que atendia a várias empresas no estado de São Paulo. Hoje, esse mundo faz parte apenas da sua memória.

Natural de Bauru, São Paulo, divorciado e pai de um filho, que mora na Irlanda, Paulo hoje tem 51 anos de idade e chegou a cursar Economia. O “boom” da sua vida aconteceu ao se mudar para Santos, litoral de São Paulo, onde foi ser gerente de receptivo.

“Foi aí que começou minha grande aventura: embarquei num navio que fazia cruzeiro internacional, Miami / Cancún, e me mantive por cinco anos, percorrendo vários roteiros mundo afora”, conta Paulo. “Aprendi a falar inglês fluente nos EUA, onde cheguei a morar por um bom tempo, logo depois de me casar, falo espanhol, e ‘arranho’ o italiano e o francês.”

Paulo diz que decidiu largar tudo e viajar de ônibus e van pelo Brasil porque não quer esperar pela velhice nem por doença para se aposentar. Sua nova aventura durou um ano e dois meses, parando a cada 30/40 km. Dormiu em várias rodoviárias.

“Sofro todo tipo de preconceito”, ele revela. “Mas sou apenas um andarilho, não represento nenhum tipo de ameaça. Na Europa, isso é normal. No Brasil, somos vistos como marginais. Já teve lugares que fui obrigado a sair logo depois de ter chegado. Os caras se aproximaram de mim e intimidaram mesmo. Aí prefiro não arriscar. Mas, graças a Deus, nunca fui espancado nem assaltado.”

Paulo esteve em Maragogi no verão passado, e diz que retornou há um mês, vindo de João Pessoa, porque se apaixonou pela cidade e o acolhimento que aqui recebeu. Agora, pretende passar uma longa temporada.

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