Primeiros trabalhadores contam história da construção do Ifal Maragogi

Ex-presidente de associação de assentados e entegador de água mineral foram os primeiros a atuarem na edificação da sede do Instituto



Otacílio de Luna lembra com orgulho a conversa que teve há algumas semanas com um turista goiano em uma casa de veraneio, no município de Maragogi, onde trabalha como segurança nas segundas-feiras à noite. O hóspede o parou na porta e contou que ficou admirado quando viu um campus federal instalado na cidade. Disse ainda que sua carreira profissional começou num curso técnico-federal, em Goiás. “Eu fui um dos que trouxe aquele campus para cá. Eu me considero o pai dele”, interrompe o segurança a história do turista.

Seu Otacílio,  de 54 anos, teve papel relevante para que esse projeto saísse do papel. Assinou, em 2012, o documento de cessão de terra do assentamento Nova Jerusalém, localizado na praia de Peroba, em Maragogi, ao Instituto Federal de Alagoas (Ifal) quando que era presidente da associação dos assentados. “Fizemos a reunião e tivemos 42 assinaturas dos 60 associados. Preparei a documentação e fomos ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e ao Ifal, em Maceió”, afirma.  Foram cedidos 12 hectares.

O segurança ainda recorda que o primeiro carregamento de madeira e areia para erguer a estrutura chegou ao local um ano e oito meses depois da doação do terreno. No mesmo dia, a empresa responsável começou a chamar trabalhadores para o serviço, como pedreiros e ajudantes. A mão de obra deveria ser de assentados, conforme previa o termo de cessão de terra. O próprio Otacílio foi contratado para perfurar três poços que proveram água para construção do prédio.

Um dos primeiros empregados foi João Bosco do Nascimento Azevedo, 52 anos. Ele passava pelo terreno por volta das 11h de uma segunda-feira para fazer entregas diárias de água mineral aos clientes, em Peroba. Nas imediações do assentamento, viu um caminhão descarregar madeira e se aproximou dele.  Quando terminou o descarregamento, um encarregado perguntou quem desejaria trabalhar no empreendimento e Bosco aceitou a proposta. “Ele disse:  vá para casa, almoce e amole um facão. Depois volte”, descreve o homem.

Bosco passou dois dias fincando estacas de 50 centímetros de comprimento ao redor do terreno. Passou a ajudar o topógrafo da obra depois disso.  “Fiz ainda serviço de servente, coloquei brita para encher as caixas de pilares no refeitório do campus”, cita.  Após a inauguração do prédio, em fevereiro 2017, ele foi contratado para atuar como auxiliar de limpeza na unidade de ensino. Instituto funcionou em sede provisória desde setembro de 2010 O Ifal Maragogi abriu as portas para receber os primeiros alunos dos cursos de Agroecologia e de Hospedagem no dia 13 de setembro de 2010, segundo a diretora-geral do campus, Sandra Maria Patriota Ferraz.  A sede funcionava de forma provisória em um prédio ao lado da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), no município. Havia apenas duas salas de aula, que atendiam os alunos nos períodos da manhã e da tarde.

Dez anos após o 13 de setembro de 2010, persiste a dúvida sobre quem deu a primeira aula e em qual curso isso aconteceu. Segundo a diretora-geral, os professores Ricardo Araújo (Artes) e Sívio Orleans (Matemática) até hoje disputam o título. “Os dois entraram ao mesmo tempo nas turmas e não sabemos quem saiu na frente. Isso é uma disputa saudável que, vez ou outra, aparece nas conversas quando reunimos os servidores”, comenta a diretora.

Bartolomeu Honorato / Assessoria

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