Óleo derramado prejudica o comércio do marisco catado na praia de São Bento, em Maragogi

Marisqueiras encontram dificuldade em vender o crustáceo

Centenas de marisco na praia de São Bento. (Fotos: Alisson David)

O cenário de uma das praias do município de Maragogi, na manhã dessa terça-feira, 29, é catastrófico. Resíduos do óleo que atinge o litoral nordestino desde setembro insistem em sujar as areias, tornando uma simples caminhada numa missão impossível de não se sujar os pés. Há pequenas poções do petróleo em fileiras intermináveis.  
 
A calamidade está mais adiante: centenas de mariscos nas areias. A maré está baixa, propícia para se pegar marisco, mas o que se avista é meia dúzia de marisqueiras de cócoras ou sentadas na areia molhada. O povoado de São Bento, templo dos bolos de goma e dos mariscos, onde até tem um festival em homenagem ao pequeno crustáceo, é a região de Maragogi que mais tem sofrido as consequências do petróleo derramado no oceano Atlântico.  
 
“Não estou vendendo mais nada”, queixa-se D. Hilda Maria da Silva, que vive de catar marisco há cerca de trinta anos. “Ninguém quer mais comprar. Nem na feira livre nem os donos de restaurantes.” Para piorar a situação familiar, D. Hilda é casada com um pescador, que não tem ido para a maré.
 
Ali perto, um pescador cerca um funcionário com a farda do Instituto Biota, que filma os fragmentos de óleo na areia. “Acharam peixes com óleo dentro!”, esbraveja o homem, desesperado. “Alguém tem que fazer alguma coisa!” Dois funcionários da prefeitura limpam o local.
 
Em Maragogi, a maior parte das áreas afetadas já foram limpas, mas seguem sendo monitoradas.
 
O município tem 685 marisqueiras cadastradas. A informação é da Colônia de Pescadores Z-15, que tem o registro de todos os profissionais da área em Maragogi. “A venda de pescados caiu, não há como negar, mas não está parada”, garante Ronaldo Fernandes da Silva, presidente da Colônia Z-15. “Os turistas não têm comprado como antes por causa da repercussão do derramamento de óleo na mídia, mas a maioria dos peixes que vendemos é pescado no alto-mar, onde não há vestígio do óleo”
 
Sobre ajuda do governo federal, responsável pelo pagamento do seguro-defeso, Dona Hilda revela que não recebeu nenhuma parcela. “Até agora não recebemos nada. Ouvi dizer que vão pagar no próximo mês, em novembro.”

Seguro-defeso

O anúncio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de pagar o seguro-defeso a pescadores de áreas atingidas pelo óleo não deve atender a totalidade da categoria. O pagamento vai ser feito aos profissionais inscritos no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) de áreas atingidas pelo óleo.
 
Em Alagoas, o total de material coletado nos locais afetados pelas manchas de óleo passa de 1.600 toneladas, entre óleo e areia contaminados, considerando que são 42 pontos afetados no estado e que na verificação de retorno não houve registro em cinco locais.

Fragmentos de petróleo em fileiras. 

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